Espaço para comunicar erros nesta postagem
A implementação da tarifa zero no transporte público tem o potencial de expandir significativamente o acesso da população a serviços de saúde, conforme indicado por um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB). O levantamento, focado em como o custo das passagens e a qualidade do transporte afetam o cotidiano de usuários, revela que essas barreiras limitam o acesso a tratamentos médicos e consultas essenciais.
O estudo, intitulado 'Quem pode circular? Tarifa zero, mobilidade e desigualdades raciais no acesso à cidade e aos serviços', destaca que a precariedade do transporte público, incluindo longos tempos de deslocamento, superlotação e insegurança, dificulta a continuidade do cuidado em saúde. Isso pode levar a atrasos em diagnósticos, faltas a consultas e prejuízos no acompanhamento de doenças crônicas.
Impacto nas desigualdades raciais
A pesquisa ressalta que os efeitos negativos do transporte precário são amplificados quando analisados sob a ótica das desigualdades raciais. A população negra, frequentemente mais afetada pela baixa renda e pela residência em áreas periféricas, depende mais do transporte público. Consequentemente, as barreiras de mobilidade impostas pelo custo e pela qualidade do serviço impactam desproporcionalmente esse grupo, restringindo seu acesso à cidade e aos serviços.
Relatos como o de Núbia Sales Veras, auxiliar de serviços gerais, ilustram essa realidade. Ela utiliza diariamente o transporte público para se deslocar de Cidade Ocidental (GO) até seu trabalho em Brasília, enfrentando longas distâncias e custos elevados de passagem, o que já a fez perder consultas médicas importantes.
A situação é similar à da aposentada Helena Simão, que, apesar de ter gratuidade, enfrenta a baixa frequência de ônibus em sua região, prejudicando seu acesso a cuidados médicos para osteoporose.
Tarifa zero como política estruturante
Os pesquisadores defendem que a eliminação do custo da tarifa, através da tarifa zero universal, pode ir além de uma medida de transporte. Eles a veem como uma política pública estruturante capaz de reduzir desigualdades, comparando seu potencial transformador ao do Sistema Único de Saúde (SUS).
A desoneração completa da tarifa é considerada uma ferramenta estratégica para garantir o acesso a equipamentos públicos, a continuidade do tratamento de saúde e para combater a exclusão territorial e racial histórica que marca as cidades brasileiras. Um estudo anterior do mesmo grupo de pesquisa indicou que a implementação da tarifa zero nas 27 capitais brasileiras poderia injetar R$ 60,3 bilhões na economia anualmente, com um impacto social comparável ao do programa Bolsa Família.
/Dê sua opinião
Qual o seu nível de satisfação em relação ao serviço público prestado?
Para participar desta enquete, realize o login em sua conta!
Login Cadastre-seNossas notícias
no celular

Bidhio Portal de Notícias
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se