O Supremo Tribunal Federal (STF) paralisou, nesta quinta-feira (6), o julgamento que avalia a validade da lei responsável por proibir os jogos de azar no país. A análise da Lei das Contravenções Penais, em vigor desde 1941, foi interrompida antes da conclusão dos votos por uma solicitação regimental.

A interrupção ocorreu após o ministro Flávio Dino pedir vista do processo. O magistrado argumentou que a discussão sobre a norma de 1941 deve ser realizada em conjunto com as ações que contestam a regulamentação das apostas on-line, conhecidas como bets.

Segundo Dino, não é adequado aplicar um tratamento rigoroso ao jogo do bicho enquanto se ignora o avanço e o impacto social do mercado de bets. Com o pedido de vista, a data para a retomada das deliberações ficou em aberto.

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Entenda o julgamento e o voto do relator

A Corte analisa se o Artigo 50 da Lei das Contravenções Penais foi recepcionado pela Constituição de 1988. Esse dispositivo classifica como infração a exploração de modalidades como bingo, jogo do bicho e máquinas caça-níqueis em locais públicos, estipulando multas para os apostadores.

O relator do caso, ministro Luiz Fux, foi o único a votar antes da suspensão. Fux defendeu a manutenção da proibição, destacando que a exploração econômica dessas práticas não é protegida pelo princípio da livre iniciativa, excetuando-se apenas as loterias oficiais.

Efeitos sociais e origem do caso

Apesar de observar que as bets possuem regulamentação própria autorizada pelo governo federal, Fux alertou para os riscos do vício. O ministro citou consequências graves, como o superendividamento de famílias, o comprometimento do orçamento doméstico destinado à alimentação e a participação indevida de crianças.

A análise do STF teve origem em um recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) contra uma decisão estadual que considerava a lei inconstitucional. O caso concreto envolve a condenação de um comerciante por manter três máquinas caça-níqueis em seu estabelecimento.

FONTE/CRÉDITOS: André Richter - Repórter da Agência Brasil