A Justiça do Rio de Janeiro determinou a execução imediata da sentença que suspendeu os direitos políticos de Garotinho por oito anos. A decisão atinge o ex-governador Anthony Garotinho devido a um esquema de desvios de recursos na Secretaria Estadual de Saúde promovido entre 2005 e 2006, colocando em risco sua pré-candidatura ao governo fluminense pelo Republicanos nas eleições de 2026.

Atendendo ao pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o Juízo da 4ª Vara da Fazenda Pública determinou a notificação oficial do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o trânsito em julgado do processo, cabendo agora à Justiça Eleitoral avaliar o impacto definitivo na elegibilidade do político.

De acordo com o Ministério Público, a condenação decorre da participação do ex-governador em fraudes ocorridas quando exercia o cargo de secretário de Estado de Governo durante a gestão de Rosinha Garotinho. O órgão confirmou que todas as possibilidades de recursos nas instâncias superiores foram totalmente esgotadas pelo réu.

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Além das sanções políticas, os valores devidos para ressarcimento ao patrimônio público sofreram expressiva atualização monetária. A quantia original de R$ 234,4 milhões saltou para aproximadamente R$ 2,55 bilhões. O processo também impõe multa civil atualizada em cerca de R$ 778 mil e R$ 11,9 milhões em indenização por danos morais coletivos.

O magistrado concedeu o prazo de 15 dias para que o Estado se manifeste sobre a liquidação da sentença e a cobrança dos valores relativos ao erário e à multa. Posteriormente, o ex-governador será intimado a quitar os débitos cobrados, além de pagar a compensação por danos morais coletivos no mesmo prazo.

A determinação judicial ordena ainda a expedição de ofícios para a Casa Civil, a Secretaria de Governo e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Os órgãos serão cientificados da proibição de Garotinho contratar com o poder público ou receber benefícios fiscais pelos próximos cinco anos.

Contraponto da defesa

Em nota oficial, a defesa de Anthony Garotinho, representada pelo advogado Admar Gonzaga, contestou a medida e alegou que o prazo de punição já expirou. Os advogados argumentam que o ex-governador permanece em pleno exercício de suas prerrogativas políticas e apto para disputar o pleito estadual.

Segundo a tese defensiva apresentada, o trânsito em julgado formal da condenação teria ocorrido em 1º de agosto de 2018. Com essa contagem inicial, o período de oito anos de inelegibilidade do candidato teria seu encerramento em 31 de julho de 2026, antes da realização das próximas eleições do Executivo.

A defesa rebateu o momento da aplicação da pena fixado pelo juiz Ricardo Cyfer, sustentando que os recursos negados posteriormente não alteram o marco temporal fixado em 2018. Para o advogado, impor nova restrição agora equivaleria a estender indevidamente os efeitos da condenação estipulada pela Justiça.

FONTE/CRÉDITOS: Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil