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A 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23), aponta uma redução de 8,2% nas mortes violentas intencionais (MVI) no Brasil em 2025. O país registrou uma queda de 20,6 para 19,1 casos por 100 mil habitantes, marcando o menor patamar desde 2012. Contudo, o cenário é complexo, com o aumento de feminicídios e mortes por intervenção policial.
Em números absolutos, as MVI totalizaram 40.775 casos no ano passado, contrastando com os 44.127 de 2024. Essa diminuição representa um marco importante para a segurança pública nacional, sendo a primeira vez que a taxa fica abaixo de 20 mortes por 100 mil habitantes.
A categoria de mortes violentas intencionais abrange homicídio doloso, feminicídio, latrocínio (roubo seguido de morte) e lesão corporal seguida de morte. Inclui também mortes decorrentes de intervenções policiais e óbitos de policiais, tanto em serviço quanto fora do horário de trabalho.
Analisando os tipos penais, houve quedas significativas em 2025. O homicídio doloso recuou 10%, o latrocínio diminuiu 17%, e a lesão corporal seguida de morte apresentou uma redução de 15,2%. Esses dados indicam um avanço em algumas frentes da criminalidade.
Apesar da tendência de queda geral, o relatório acende um alerta para o crescimento de certos crimes. As mortes por intervenção policial aumentaram 5,4%, e os feminicídios registraram um acréscimo de 4%. Essas elevações apontam para desafios específicos na segurança.
Apesar da média nacional positiva, sete unidades da federação apresentaram elevação nas MVI. São elas: Rio Grande do Norte (19,6%), Rondônia (7,5%), Acre (6,3%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).
Em contrapartida, a maioria dos estados obteve reduções notáveis nas mortes violentas intencionais. O Amazonas liderou as quedas com -32,5%, seguido por Rio Grande do Sul (-25,7%), Mato Grosso (-23,2%) e Piauí (-15,7%).
Outras reduções importantes foram observadas em Paraná (-15,5%), Minas Gerais (-14,2%), Goiás (-12,7%), Santa Catarina (-11,1%), Bahia (-9,6%), Pernambuco (-9,3%) e Espírito Santo (-8,4%). Ceará (-7,5%), Alagoas (-6,6%) e Amapá (-5,9%) também mostraram melhorias.
Paraíba e São Paulo registraram queda de 3,9% cada, enquanto Pará teve -3,7%. Sergipe (-3%), Tocantins (-2,2%) e Maranhão (-2,2%) completam a lista de estados com diminuição nas ocorrências de MVI, refletindo esforços regionais.
Feminicídios: um retrato da violência de gênero
Os dados de 2025 do Anuário de Segurança Pública revelam um cenário alarmante para os feminicídios. Pela primeira vez desde a inclusão do crime no Código Penal em 2015, 44,4% das mulheres assassinadas no país foram vítimas por razões de gênero.
No último ano, 1.571 mulheres foram mortas em decorrência de feminicídio, o que equivale a uma média de 4,3 vítimas por dia. A taxa nacional atingiu 1,4 vítimas por grupo de 100 mil mulheres, representando um aumento de 4% em relação a 2024.
As tentativas de feminicídio também evidenciam uma preocupante escalada. Em 2025, foram registradas 4.189 mulheres sobreviventes, um crescimento de 5,9% frente ao ano anterior. Isso significa que, para cada feminicídio consumado, houve quase três tentativas no Brasil.
Considerando conjuntamente os casos consumados e tentados, as regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram as maiores taxas de violência letal de gênero. O Centro-Oeste registrou 9,8 vítimas por 100 mil mulheres, enquanto o Norte alcançou 8 vítimas por 100 mil.
Em contraste, as regiões Sudeste (4,2), Nordeste (4,8) e Sul (5,2) registraram níveis relativamente menores de violência letal de gênero, tanto consumada quanto tentada. Esses números destacam a necessidade de ações regionalizadas para combater o problema.
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