O Fórum Criminal de Guarulhos iniciou nesta terça-feira (22) o julgamento de três policiais militares acusados de envolvimento na morte do empresário Vinicius Gritzbach. Sob um rígido esquema de segurança, o júri popular avaliará a conduta dos réus na execução ocorrida no Aeroporto de Guarulhos em 2024, motivada por revelações feitas em uma delação premiada.

A sessão começou com a escolha dos sete jurados que decidirão o veredito. A estimativa é que os trabalhos se estendam por aproximadamente cinco dias, mobilizando toda a estrutura do fórum local para o acompanhamento do caso.

Devido à alta periculosidade e à repercussão do processo, as demais audiências em Guarulhos foram interrompidas temporariamente. Ruas no entorno do tribunal foram bloqueadas para garantir a integridade dos participantes e a ordem pública.

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O magistrado Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, conhecido por presidir o júri do Massacre do Carandiru, está à frente do caso. Os réus são o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues.

Além da morte de Gritzbach, os PMs respondem pelo assassinato do motorista de aplicativo Celso Novais, atingido por engano, e por ferimentos causados a outras duas pessoas durante o tiroteio ocorrido no Terminal 2 do aeroporto internacional.

Vinicius Gritzbach, o alvo principal, era investigado por lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Pouco antes de morrer, ele firmou um acordo de colaboração premiada, denunciando policiais corruptos e lideranças criminosas.

Clamor por justiça e argumentos da defesa

Aparecida Camilo, mãe do motorista Celso Novais, expressou sua dor na entrada do fórum. "Espero justiça. Meu filho era um trabalhador e um pai exemplar que teve a vida ceifada de forma inocente", declarou a babá de 65 anos.

Por outro lado, os advogados de defesa sustentam a inocência dos policiais. Eles afirmam que os réus sequer estavam no local do crime e sugerem que a investigação foi "direcionada" para proteger membros da Polícia Civil envolvidos em extorsão.

O advogado Cláudio Dalledone afirmou que pretende demonstrar falhas na tese da acusação. Segundo ele, existem evidências de que setores corrompidos da polícia teriam motivações claras para eliminar o delator e silenciar suas denúncias.

Mauro Ribeiro, defensor do tenente Genauro, reforçou que a defesa apresentará provas documentais de que os policiais não possuem ligação com os mandantes. Para ele, a acusação atual serve apenas para acobertar os verdadeiros executores.

Dinâmica do júri popular

O rito do júri popular é reservado para crimes dolosos contra a vida. Nele, cidadãos comuns atuam como juízes de fato, decidindo pela condenação ou absolvição após ouvirem os argumentos técnicos das partes envolvidas no processo.

Ao todo, 21 testemunhas devem ser ouvidas antes dos interrogatórios dos réus. A acusação é liderada pelos promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes, que buscam a responsabilização máxima dos agentes públicos.

O inquérito policial aponta que o crime foi uma vingança do PCC. Entre os indiciados originais estão líderes da facção, como Emílio Castilho e Diego Amaral, que permanecem foragidos e respondem a processos separados da justiça.

Segundo o Ministério Público, o cabo Denis Martins e o soldado Ruan Rodrigues foram os atiradores que utilizaram fuzis na ação. O tenente Fernando Genauro teria atuado na logística de transporte e auxiliado na fuga dos criminosos após os disparos.

FONTE/CRÉDITOS: Elaine Patrícia Cruz - Repórter da Agência Brasil