O mercado financeiro revisou para cima as expectativas de inflação para o Brasil em 2024, com a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passando de 5,3% para 5,33%. A taxa básica de juros, a Selic, é projetada para atingir 14% ao ano em 2026, conforme indicam os dados do Boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central (BC) com as projeções de instituições financeiras.

A elevação na previsão do IPCA para este ano ocorre pela décima quinta semana consecutiva, superando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%. Essa persistência na alta da inflação ocorre mesmo diante de acordos para o fim de conflitos no Oriente Médio, que impactam diretamente os preços de combustíveis e alimentos.

O CMN define a meta de inflação em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Portanto, o intervalo considerado aceitável para a inflação é entre 1,5% e 4,5%.

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Em maio, a inflação oficial registrou 0,58%, impulsionada principalmente pelos custos de alimentos. O IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,72%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já ultrapassando o limite superior da meta.

Para os anos seguintes, as projeções também foram ajustadas: a inflação esperada para 2027 subiu de 4,1% para 4,15%. As estimativas para 2028 e 2029 são de 3,7% e 3,5%, respectivamente.

Taxa Selic

A taxa básica de juros, Selic, atualmente em 14,25% ao ano, é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Recentemente, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, pela terceira vez consecutiva, apesar das incertezas geopolíticas globais.

Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o nível mais alto em quase duas décadas. O ciclo de cortes iniciado em março visava acompanhar a desaceleração da inflação, mas as tensões no Oriente Médio, com reflexos nos preços de insumos e alimentos, têm dificultado uma redução mais acentuada.

O Copom destacou em sua última reunião que a persistência de incertezas sobre os desdobramentos dos conflitos e seus impactos econômicos são fatores determinantes para a condução da política monetária. A magnitude dos futuros ajustes na taxa de juros dependerá da evolução dos dados econômicos, com o objetivo central de assegurar o retorno da inflação à meta.

A projeção do mercado para a taxa Selic ao final de 2026 foi elevada de 13,75% para 14% ao ano. A expectativa para o próximo encontro do Copom, em agosto, é de que ocorra a última redução de juros do ano.

As projeções para os anos seguintes indicam uma trajetória descendente para a taxa Selic: 12% ao ano em 2027 e 10,25% ao ano em 2028. Para 2029, a expectativa é de que a taxa se estabilize em 10% ao ano.

O nível da taxa de juros impacta diretamente o custo do crédito. Juros elevados encarecem o acesso a financiamentos, como cartões de crédito e empréstimos imobiliários, o que tende a frear o consumo e a atividade econômica.

Por outro lado, a redução da Selic tende a baratear o crédito, incentivando a produção e o consumo, o que pode impulsionar a economia e facilitar o controle inflacionário.

PIB e câmbio

As projeções para o crescimento da economia brasileira em 2024 foram ligeiramente ajustadas para cima, de 1,96% para 1,98%. Para 2027, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) permanece em 1,7%, com estimativas de 2% para 2028 e 2029.

Os dados do primeiro trimestre de 2026 apontam para um crescimento de 1,1% em relação ao trimestre anterior, e uma expansão de 2% em 12 meses, segundo o IBGE.

Em 2025, a economia brasileira apresentou crescimento de 2,3%, com destaque para o setor agropecuário, marcando o quinto ano consecutivo de expansão.

A previsão para a cotação do dólar ao final de 2024 é de R$ 5,20. Para o fim de 2027, o mercado estima que a moeda norte-americana atinja R$ 5,27.

FONTE/CRÉDITOS: Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil