Um levantamento divulgado pela Anistia Internacional Brasil revelou que o Facebook aprovou a veiculação de anúncios contendo desinformação eleitoral no país. O teste, publicado a 40 dias do primeiro turno das eleições, submeteu 15 conteúdos à plataforma e demonstrou falhas severas na moderação automatizada da empresa Meta.

Ao todo, a ONG submeteu 15 anúncios pagos em português voltados a brasileiros acima de 16 anos. Desses, 14 apresentavam conteúdos antidemocráticos e apenas um era neutro. Mesmo assim, mais da metade das publicações com dados falsos teve sua veiculação autorizada pela rede social.

Apesar da aprovação pelo sistema da rede social, as peças publicitárias foram programadas para datas futuras e canceladas antes da publicação real. Com isso, os ativistas evitaram que as campanhas enganosas chegassem efetivamente aos usuários.

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Segundo a entidade, as peças de desinformação baseavam-se em três eixos centrais: deslegitimação das urnas e do sistema eleitoral, ataques a adversários e tribunais, e defesa de medidas autoritárias ou intervenções militares contra a criminalidade.

Uma das publicações rejeitadas pelo sistema pedia abertamente uma revolução militar. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já reiterou em diversas oportunidades que esse tipo de alegação sobre anulação do pleito por abstenção é completamente falsa.

Aprovações e falhas de moderação

No estudo, oito dos 15 anúncios foram aprovados para veiculação. Os sete reprovados foram barrados não por conterem mentiras, mas sim por se enquadrarem como propaganda política ou social, o que exigiria a verificação prévia de identidade da conta.

A diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, classificou a falha no sistema de moderação da Meta como alarmante. Segundo ela, a empresa lucra com sistemas que acabam funcionando como vetores para a disseminação de fake news.

A ONG destacou ainda que o envio foi feito de Londres sem uso de VPN. Para o pesquisador Ummar Bashir, a possibilidade de veicular esses conteúdos a partir do exterior acende o alerta para eventuais interferências estrangeiras no processo democrático.

Posicionamentos da Meta e do TSE

Em nota, a Meta argumentou que a pesquisa considerou uma amostra reduzida de anúncios não publicados. A empresa declarou que possui múltiplas camadas de verificação e ressaltou que mantém investimentos expressivos para resguardar a integridade das eleições brasileiras.

Por outro lado, as regras do TSE estabelecem que as plataformas digitais devem agir ativamente para limitar a circulação de conteúdos sabidamente falsos. As normas vigentes determinam a remoção imediata de alegações sem comprovação contra o sistema eletrônico de votação, dispensando até ordem judicial.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura ─ Repórter da Agência Brasil