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O Sistema Único de Saúde (SUS) planeja incorporar ainda em 2024 a PrEP injetável, uma nova opção de profilaxia para a prevenção do HIV. O tratamento utiliza o medicamento carbotegravir, que impede a multiplicação do vírus no organismo e precisa ser administrado apenas uma vez a cada dois meses.
A proposta de inclusão do fármaco será encaminhada pelo Ministério da Saúde à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec) na próxima semana. O órgão independente avaliará o custo-benefício da medida antes de enviar a recomendação final ao governo.
A decisão definitiva sobre a oferta cabe ao Ministério da Saúde, que negocia o valor e a quantidade de doses com a fabricante GSK. Segundo o ministro Alexandre Padilha, o governo busca adquirir o medicamento por um preço adequado para a rede pública.
"Vemos com muita esperança as novas tecnologias de proteção prolongada, mas exigimos que sejam oferecidas aos sistemas de saúde com valores justos, e não preços estratosféricos", declarou o ministro durante coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.
Impasse sobre o lenacapavir
De acordo com Padilha, a questão financeira pesou na escolha do carbotegravir. Outra alternativa analisada foi o lenacapavir, aplicado a cada seis meses, mas a farmacêutica Gilead pediu um valor considerado inviável pela gestão pública brasileira.
O ministro enfatizou que o governo não utilizará recursos dos impostos para atender a interesses de lucro excessivos da indústria, mesmo após propor pagar até dez vezes mais do que o valor fixado em países de perfil econômico similar ao do Brasil.
Apesar de o país ter participado dos ensaios clínicos do lenacapavir, ficou de fora do acordo de licenciamento voluntário assinado pela Gilead. A exclusão brasileira foi criticada por organizações globais do setor, como o Unaids.
Em nota, a Gilead informou que busca formas sustentáveis de acesso ao fármaco na América Latina. A empresa revelou ainda ter assinado um memorando de entendimento com a Fiocruz para avaliar a transferência de tecnologia do produto.
Avanço em relação à PrEP oral
Atualmente, o SUS oferece a PrEP oral em comprimidos diários, que já atendeu mais de 350 mil pessoas no país. Contudo, a versão aplicável surge como uma alternativa superior para melhorar a adesão ao tratamento preventivo contínuo.
Um estudo conduzido pela Fiocruz com 1,4 mil voluntários mostrou que 83% dos participantes preferiam a medicação administrada por injeção. Além disso, 94% compareceram no prazo correto para a aplicação, e nenhuma infecção foi registrada durante a pesquisa.
Levantamentos de vida real divulgados pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK também confirmaram a alta eficácia do carbotegravir, que registrou uma taxa anual de infecção pelo vírus de apenas 0,1% nos pacientes acompanhados.
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