O aumento expressivo de casos de sarampo nos Estados Unidos, México e Canadá – nações que sediarão a Copa do Mundo de 2026 – serve como um alerta crucial para a necessidade de imunização dos turistas brasileiros que planejam viajar a esses locais. Em conjunto, esses três países concentram cerca de 70% de todas as ocorrências da doença no continente americano.

A constatação foi apresentada nesta terça-feira (9) à Agência Brasil pela médica infectologista Natalie Del Vecchio, integrante do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).

A infectologista Natalie Del Vecchio ressaltou que "o sarampo é uma doença de alta transmissibilidade", o que significa que um único indivíduo infectado pode espalhar o vírus para muitas pessoas ao mesmo tempo. Ela também observou que "temos presenciado baixos índices de cobertura vacinal tanto nessas nações quanto aqui no Brasil".

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Expansão da doença

No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia emitido um alerta sobre a disseminação dos casos, quando o Canadá registrou 5.062 ocorrências, resultando na perda de sua certificação de país livre da doença. Em 2026, foram confirmados 124 novos casos em solo canadense.

O México viu o número de casos saltar de sete, notificados em 2024, para 6.152 registros em 2025. Apenas em janeiro deste ano, dados preliminares indicam 1.190 casos. Nos Estados Unidos, por sua vez, foram contabilizados 2.144 casos em 2025 e 721 em janeiro de 2026.

Conforme a infectologista do IFF/Fiocruz, o perigo é maior para os cidadãos brasileiros que viajam a essas nações sem ter o esquema vacinal contra o sarampo devidamente completo. A imunização adequada pode, inclusive, evitar uma possível reintrodução do vírus no território nacional.

Natalie relembrou que, em novembro de 2024, o Brasil foi recertificado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) como um país livre do sarampo. O reconhecimento foi entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à então ministra da Saúde, Nísia Trindade. Embora o Brasil já tivesse alcançado essa posição de nação sem circulação endêmica do sarampo em 2016, a baixa adesão à vacinação permitiu a reintrodução do vírus em 2018.

Risco de reintrodução

"A baixa cobertura vacinal constitui um perigo real para a reintrodução do vírus em nosso país", enfatizou a infectologista. Em 2025, foram notificados 38 casos no Brasil, todos provenientes de nações vizinhas. Em janeiro de 2026, dois casos de sarampo foram registrados: uma mulher de 22 anos no Rio de Janeiro e um bebê de 6 meses em São Paulo, ambos sem histórico de vacinação.

Natalie Del Vecchio recomenda que até mesmo as pessoas que não pretendem viajar para os países-sede da Copa do Mundo busquem completar seu calendário vacinal. Para indivíduos acima de 1 ano de idade até os 30 anos, são indispensáveis duas doses da vacina contra o sarampo; já para a faixa etária de 30 a 60 anos, uma única dose é suficiente.

"Se a pessoa já possui seu esquema vacinal completo, não há necessidade de uma dose adicional. Contudo, se o calendário não estiver em dia, os viajantes com destino aos países-sede da Copa devem providenciar a conclusão da imunização. Assim, poderão viajar com segurança, evitando tanto a aquisição do vírus do sarampo quanto sua reintrodução em nosso país, o que seria crucial para prevenir um novo surto e mais casos da doença no Brasil", explicou a infectologista.

Reforço na imunização

O Ministério da Saúde iniciou uma campanha nacional orientando os brasileiros que viajarão aos Estados Unidos, México e Canadá para a Copa do Mundo a reforçarem sua vacinação contra o sarampo. Para crianças de 6 a 11 meses, a sugestão é que recebam a dose zero com pelo menos 15 dias de antecedência da viagem. Já para a faixa etária de 12 meses a 29 anos, são exigidas duas doses.

Adultos entre 30 e 59 anos devem ter recebido ao menos uma dose da vacina ao longo da vida. Outra orientação importante é que a aplicação da vacina Tríplice Viral (que oferece proteção também contra caxumba e rubéola) seja feita no mínimo 15 dias antes da partida. As doses estão disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

Gravidade da doença

O sarampo é uma enfermidade grave, capaz de deixar sequelas permanentes e até mesmo levar ao óbito. As principais complicações variam conforme a idade do paciente. Em crianças, pode provocar pneumonia, infecções de ouvido, encefalite aguda (inflamação no encéfalo) e morte. Em adultos, a pneumonia é uma complicação comum. Já em gestantes, a doença pode resultar em parto prematuro e no nascimento de bebês com baixo peso.

Com sua alta capacidade de contágio, a doença se propaga por meio da tosse, fala ou respiração. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus a outras antes mesmo de saber que está doente. Os sintomas mais frequentes incluem febre alta, tosse persistente, coriza, irritação nos olhos e manchas avermelhadas que surgem primeiro no rosto e depois se espalham pelo corpo. Geralmente, os sintomas manifestam-se entre sete e 14 dias após o contato com o vírus.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil