O Brasil registrou um crescimento nas tensões agrárias durante o primeiro semestre deste ano, embora o volume de homicídios tenha apresentado queda. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou nesta quarta-feira (2) dados que apontam para a expansão da mercantilização e da financeirização da terra em território nacional.

Nos primeiros seis meses deste ano, a entidade contabilizou seis mortes violentas em áreas rurais. No mesmo período de 2025, o total havia sido de 27. Por outro lado, as ocorrências de disputas subiram de 798 para 841.

O estado do Maranhão liderou o ranking de registros nos primeiros seis meses de 2026, somando 156 casos. Em seguida aparecem Pará (90), Bahia (85), Rondônia (63) e Amazonas (63).

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As informações coletadas servem para mapear tendências e comporão o relatório anual intitulado Conflitos no Campo Brasil. O lançamento oficial do documento está previsto para o ano de 2027.

O levantamento resulta da atuação de agentes da CPT em todo o país. A instituição também utiliza notícias veiculadas na imprensa, dados públicos e informações de movimentos sociais parceiros.

“O campo brasileiro está distante do que chamamos de um lugar de paz, onde as pessoas não precisam sempre resistir para a permanência na terra”, pontuou a coordenadora nacional da CPT, Cecília Gomes.

Conflitos por terra e água

A maior parte dos registros envolve disputas por solo (711), além de impasses relacionados à água (100) e denúncias de trabalho escravo rural (30).

O Maranhão também concentrou a maioria das divergências por território, somando 153 ocorrências. O Amazonas chamou atenção com um salto de 140% em relação ao ano anterior.

Já os episódios de disputa pela água saltaram de 47 para 100 registros, espalhando-se por 20 estados. O Pará liderou essa categoria, acumulando 16 ocorrências locais.

Trabalho escravo e violência

As denúncias de exploração análoga à escravidão no meio rural caíram de 101 para 30 registros. O total de resgatados passou de 842 para 355 pessoas.

No eixo das agressões pessoais, o massacre de três posseiras em Lábrea (AM) integrou os homicídios do período. A contaminação por minérios e agrotóxicos seguiu em destaque.

Apesar da complexidade do cenário, manifestações populares cresceram de 253 para 284. Comunidades usaram protestos para cobrar demarcações e proteção ambiental.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - repórter da Agência Brasil