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A Polícia Federal (PF) apontou em relatório que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, obteve vantagens indevidas para favorecer a refinaria Refit (antiga Manguinhos) por meio de órgãos estaduais. As conclusões constam na segunda fase da Operação Sem Refino, cujo sigilo foi retirado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quinta-feira (3), para aprofundar as investigações de corrupção.
De acordo com os investigadores, as propinas destinadas ao político fluminense incluíam o pagamento de despesas pessoais de luxo. Entre os itens identificados pela PF estão o consumo de R$ 10,5 mil em caviar, o custeio do aluguel de sua residência na Barra da Tijuca e o usufruto de uma mansão em Petrópolis, onde foi instalada uma adega sob medida avaliada em R$ 245 mil.
Essas revelações fundamentaram a decisão do ministro Alexandre de Moraes ao autorizar 16 mandados de busca e apreensão. A Operação Sem Refino 2, deflagrada em agosto, foca em fraudes na concessão de licenças ambientais para a Refit. A PF sustenta que as autorizações foram emitidas ignorando pareceres técnicos, configurando também crimes de lavagem de dinheiro.
Esquema de lavagem de dinheiro e laranjas
O relatório aponta que a organização criminosa utilizava "laranjas" e empresas de fachada para registrar patrimônio de luxo e ocultar os reais beneficiários. O principal articulador do esquema seria o advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, conhecido como "Pipo". Ele é apontado como o responsável por intermediar pagamentos e ocultar bens em nome de terceiros para favorecer o ex-governador.
Em contrapartida, o ex-chefe do Executivo fluminense agiria para beneficiar o empresário Ricardo Magro, apontado como o líder do esquema de corrupção. Mensagens obtidas em celulares apreendidos revelam contatos diretos de assessores para acelerar licenças ambientais da Refit e prejudicar concorrentes. Atualmente, Magro está foragido e com o nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.
A PF também identificou que a mansão em Petrópolis estava registrada em nome da Concrecasa Construções Inteligentes. O usufruto do imóvel seria uma compensação pelo direcionamento de contratos de R$ 355 milhões para a empreiteira Enge Prat. Além disso, o aluguel da cobertura onde ele reside na Barra da Tijuca, avaliado em R$ 25 mil, era pago por apenas R$ 10 mil.
Posicionamento da defesa
Em nota oficial, a defesa de Cláudio Castro refutou veementemente as acusações. Os advogados alegam que os contratos de locação dos imóveis citados são regulares e devidamente comprovados. Sobre o episódio do caviar, a defesa esclareceu que o fato ocorreu após o término do mandato do ex-governador, tratando-se de uma entrega feita a pedido de um amigo pessoal.
A nota ainda destaca que os contatos com a Refit foram estritamente institucionais e que o governo estadual cobrou dívidas ativas da empresa. A defesa solicitou formalmente ao STF que o político seja ouvido pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos e apresentar documentos que comprovem sua inocência. Castro reafirma que não cometeu nenhuma irregularidade durante sua gestão pública.
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