Oito em cada dez brasileiros e brasileiras (81%) afirmam ser fundamental que seus candidatos nas eleições acreditem em Deus. Essa percepção é mais aguçada entre classes mais pobres do que entre os mais ricos, segundo levantamento.

Os dados integram estudo inédito do Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião (LePar), da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentado em evento acadêmico no Rio de Janeiro.

A análise destaca a forte presença da figura divina, sobretudo nos estratos de menor renda. Sete em cada dez entrevistados concordam que a crença torna as pessoas melhores, e a maioria defende o ensino religioso nas escolas.

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No entanto, a socióloga Christina Vital, da UFF, aponta que essa valorização não se traduz necessariamente em confiança plena nas instituições religiosas que moldam o cotidiano da população.

Entre as instituições avaliadas na pesquisa, a Igreja Católica lidera com 56% de confiabilidade, seguida pelas igrejas protestantes com 51% e pelos centros kardecistas com 19%.

O levantamento também revela que metade da amostra defende que o Estado brasileiro não seja laico, demonstrando confusão conceitual sobre a separação entre religião e governança pública.

Para especialistas como Michel Gherman, da UFRJ, esses números indicam como setores da extrema direita conseguiram instrumentalizar valores religiosos em busca de um projeto político de passado.

O cientista político Lucio Rennó, da Universidade de Brasília (UnB), reforça que existe uma identidade na escolha eleitoral, onde os cidadãos tendem a votar em figuras públicas que refletem suas próprias crenças e visões de mundo.

FONTE/CRÉDITOS: Agência Brasil