O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, criticou nesta quinta-feira (13) a tentativa de empresas não bancárias de utilizar a cobertura do FGC para alavancar a captação de recursos no varejo sem oferecer os ativos necessários em contrapartida.

Conforme explicou Galípolo, companhias de pequeno e médio porte vêm buscando autorização para operar com regras semelhantes às dos bancos. No entanto, essas intermediárias captam com taxas e prazos diferenciados, porém com regulação mais branda, o que compromete a concorrência leal do mercado.

Importância da regulação e estabilidade

Durante sua fala, o dirigente enfatizou que essa conduta precisa ser estancada pelos reguladores. Segundo ele, a autoridade monetária já vem atuando em parceria direta com a entidade para implementar um conjunto contínuo de medidas de contenção.

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Ao pontuar os riscos inerentes à atividade bancária, Galípolo destacou que instituições financeiras são naturalmente passíveis de falha por conta de oscilações na inadimplência ou crises repentinas de liquidez. Nesses cenários críticos, a atuação do mecanismo de proteção é fundamental para evitar corridas bancárias e assegurar a estabilidade do sistema.

Trinta anos de proteção aos investidores

As declarações foram dadas durante a celebração dos 30 anos da criação da entidade, fundada em 16 de novembro de 1995 no contexto do Plano Real. O mecanismo é financiado exclusivamente por aportes das próprias instituições financeiras associadas.

Historicamente, a estrutura foi decisiva durante a transição cambial dos anos 1990 e na crise global de 2008. Recentemente, a instituição assumiu o ressarcimento de credores impactados por fraudes no Banco Master, desembolsando cerca de R$ 40,6 bilhões para atender 1,6 milhão de clientes. Para recompor o caixa após o desgaste, aprovou-se um aumento de até 60% nas contribuições extraordinárias das associadas.

O sistema de proteção cobre depósitos e aplicações até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição financeira, respeitando um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Paralelamente, o evento marcou a abertura da exposição "O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional", em cartaz no Prédio das Moedas, na B3 em São Paulo, até 30 de setembro.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Jeronymo - Repórter da Agência Brasil