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A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Bioenergia Brasil emitiram um posicionamento oficial em resposta às indagações levantadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) acerca das condições de entrada do etanol norte-americano no mercado do Brasil.
Em comunicado, as associações salientaram que a alíquota imposta pelo Brasil sobre o etanol importado não visa especificamente os Estados Unidos, mas sim obedece às diretrizes da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul.
As entidades também apontaram que, por décadas, o governo norte-americano tem implementado políticas de proteção ao setor açucareiro, o que limita significativamente a entrada do açúcar brasileiro em seu mercado.
"É fundamental destacar que os Estados Unidos, há várias décadas, aplicam medidas de proteção ao açúcar através de um sistema de tarifas e cotas restritivas, que confinam as vendas brasileiras ao mercado norte-americano a um patamar inferior a 1% do total das exportações do Brasil", detalha o documento conjunto das entidades.
A manifestação da Unica e da Bioenergia surge em um cenário onde o governo dos EUA considera a imposição de uma nova tarifa punitiva de 25% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de que certas práticas comerciais do Brasil seriam desleais.
Essa proposta de medida é fundamentada em uma investigação iniciada em julho de 2025 pelo USTR, que concluiu que políticas e ações brasileiras são consideradas "irrazoáveis" e que "oneram ou restringem" o intercâmbio comercial com os Estados Unidos.
O inquérito americano analisou diversas áreas, incluindo comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, como o Pix; a atribuição de tarifas preferenciais; a salvaguarda da propriedade intelectual; o enfrentamento à corrupção; as condições de acesso ao mercado de etanol; e o desmatamento ilegal.
O USTR sustenta que, nestes aspectos, empresas e exportações americanas estariam sendo prejudicadas, o que poderia levar o Brasil a sofrer sanções.
Em seu comunicado, as entidades do Brasil enfatizaram a relevância estratégica do etanol nacional no contexto da transição energética mundial.
"O etanol produzido no Brasil é amplamente reconhecido globalmente como uma das alternativas mais eficazes para a descarbonização do setor de transportes, unindo baixa pegada de carbono, padrões de sustentabilidade rigorosos e verificáveis, e uma contribuição substancial para diminuir as emissões de gases de efeito estufa. É um biocombustível que se alinha perfeitamente com as principais pautas mundiais de transição energética, segurança e desenvolvimento sustentável", afirmaram as associações.
As associações também argumentaram que "quaisquer divergências comerciais" devem ser resolvidas através do diálogo e da negociação, a fim de preservar a relação bilateral, que é historicamente significativa para ambas as nações.
"A Unica e a Bioenergia Brasil reiteram sua convicção de que o governo brasileiro prosseguirá gerenciando este processo com a devida responsabilidade, firmeza e habilidade diplomática, visando proteger os interesses estratégicos do país", concluíram.
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