Um relatório divulgado pela ONU Mulheres, em parceria com TheNerve e outras entidades, indica que 12% das mulheres que atuam como defensoras de direitos humanos, ativistas, jornalistas, profissionais da mídia e comunicadoras públicas já enfrentaram a divulgação não autorizada de suas imagens pessoais, incluindo conteúdo de natureza íntima ou sexual.

Intitulado "Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA", o documento detalha que 6% das entrevistadas foram alvo de manipulações por deepfakes. Além disso, aproximadamente uma em cada três mulheres relatou ter recebido propostas sexuais indesejadas por meio de mensagens digitais.

O estudo aponta que 41% das mulheres que participaram da pesquisa admitem praticar autocensura nas redes sociais para evitar abusos. No âmbito profissional, 19% afirmaram se autocensurar em seu trabalho devido à violência online. Entre as jornalistas e trabalhadoras da mídia, o percentual de autocensura nas redes sociais atingiu 45% em 2025, representando um aumento de 50% em relação a 2020, enquanto quase 22% se autocensuram em suas atividades profissionais.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Os responsáveis pela pesquisa ressaltam que "Esse tipo de agressão é frequentemente premeditado e orquestrado, visando silenciar mulheres na esfera pública e, ao mesmo tempo, minar sua credibilidade profissional e reputação pessoal. Outras tendências importantes evidenciam um aumento nas ações legais e nas queixas às autoridades de segurança por parte de jornalistas e profissionais da mídia."

Os dados mostram que, em 2025, 22% das jornalistas e trabalhadoras da mídia estavam propensas a reportar incidentes de violência online à polícia. Esse índice representa o dobro do registrado em 2020, que era de 11%.

Cerca de 14% dessas profissionais estão agora buscando medidas legais contra os agressores, facilitadores ou seus empregadores, um aumento em comparação aos 8% registrados em 2020, o que reflete uma maior conscientização e uma demanda mais forte por responsabilização.

O relatório também revela o impacto severo da violência na saúde e bem-estar das mulheres: 24,7% das jornalistas e trabalhadoras da mídia entrevistadas receberam diagnóstico de ansiedade ou depressão diretamente ligadas à violência online vivenciada, e quase 13% foram diagnosticadas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Kalliopi Mingerou, chefe da Seção de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres, enfatizou que a inteligência artificial está tornando o abuso mais acessível e prejudicial.

"Isso contribui para a erosão de direitos arduamente conquistados, em um cenário de retrocesso democrático e misoginia disseminada. Nossa obrigação é assegurar que sistemas, legislações e plataformas respondam com a urgência que esta crise exige", declarou.

Outro ponto crucial destacado pela ONU Mulheres é a persistência de lacunas na proteção legal contra a violência digital. Segundo dados do Banco Mundial divulgados no ano anterior, menos de 40% dos países possuem leis eficazes para proteger as mulheres contra assédio ou perseguição virtual.

Globalmente, 1,8 bilhão de mulheres e meninas, o que corresponde a 44% da população feminina, ainda carecem de acesso a proteção legal adequada.

FONTE/CRÉDITOS: Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil