O novo estudo do Observatório Brasileiro das Desigualdades indica que a desigualdade no Brasil persiste em áreas cruciais, embora o país tenha registrado avanços em 34 dos 48 indicadores sociais analisados no último ano, impulsionados pela melhora da renda e pela redução da pobreza.

De acordo com o documento, a evolução positiva deve-se ao aquecimento do mercado de trabalho, maior acesso a serviços básicos e avanço na segurança alimentar. Houve também melhorias na saúde, com queda da desnutrição infantil e de idosos, na educação, com menor analfabetismo, e na segurança, com redução de homicídios de jovens.

Pontos de retrocesso e gargalos estruturais

Apesar desses ganhos, oito indicadores registraram piora e seis permaneceram estáveis. Os analistas do relatório apontam que as engrenagens de reprodução das disparidades históricas continuam atuantes.

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  • Ampliação da diferença salarial entre mulheres e homens;
  • Agravamento da concentração de renda;
  • Menor tributação proporcional para as faixas de maior renda;
  • Condições mais desfavoráveis para a população negra;
  • Aumento da concentração de indicadores ruins no Norte e Nordeste.

Adriana Marcolino, diretora técnica do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, ressalta que a atualização periódica de bases como a POF e o Inaf não prejudica a análise temporal, pois os dados consolidam tendências observadas ao longo das quatro edições do relatório.

Aprofundando a análise, Betina Ferraz Barbosa, economista-chefe do Pnud Brasil, pontua que os índices médios camuflam uma dinâmica social complexa, na qual os progressos conquistados continuam distribuídos de maneira profundamente desigual.

FONTE/CRÉDITOS: Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil