O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta quinta-feira (3) que deixará a sociedade do Instituto Iter. A decisão de se desligar da instituição privada de ensino ocorre em meio à repercussão de contratos milionários firmados pela empresa com órgãos públicos de diversos estados do país.

Segundo nota oficial divulgada pelo magistrado, o Instituto Iter será transformado em uma entidade sem fins lucrativos. Mendonça declarou que cederá suas cotas societárias, assim como as de sua esposa, Janei Mendonça. O objetivo é direcionar eventuais receitas futuras da organização exclusivamente para projetos sociais e educacionais.

O integrante da Suprema Corte enfatizou que nunca recebeu lucros da instituição, fundada em novembro de 2023. Com a reestruturação, o ministro do STF pretende atuar no local apenas na condição de docente, ministrando aulas de oratória. A mudança foi acordada com Victor Godoy Veiga, presidente do instituto e ex-ministro da Educação.

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Contratos com o setor público sob análise

A movimentação ocorre após a Revista Fórum revelar que o Instituto Iter fechou pelo menos 55 contratos com administrações públicas de 14 unidades federativas. No total, os acordos somam cerca de R$ 10,8 milhões. A apuração jornalística aponta que 54 dessas parcerias foram realizadas por dispensa de licitação.

Tanto Mendonça quanto Veiga ocuparam cargos de destaque no governo de Jair Bolsonaro. O atual ministro do STF chefiou a pasta da Justiça e Segurança Pública, enquanto Veiga liderou o Ministério da Educação. A reportagem tenta contato com a assessoria do Instituto Iter para obter o posicionamento oficial da entidade.

FONTE/CRÉDITOS: Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil