A inflação oficial do Brasil registrou uma queda de 0,32% em agosto, impulsionada pelo desconto na energia elétrica e pelo recuo nos preços de alimentos e transportes. O índice, divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa a menor taxa para o mês desde 2022, superando as projeções do mercado financeiro.

Com esse resultado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula uma alta de 4,22% nos últimos 12 meses. O número mostra uma desaceleração em relação aos 4,44% registrados em julho e se consolida como o menor patamar acumulado desde março de 2026, quando estava em 4,14%.

O recuo superou as previsões de analistas financeiros consultados pelo Boletim Focus do Banco Central (BC), que estimavam uma deflação de 0,23% para o período. Atualmente, a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

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Principais impactos no índice

Dos nove setores analisados pelo IBGE, quatro registraram deflação em agosto. O grupo de habitação teve o recuo mais expressivo, caindo 1,87%, o que representa a maior queda histórica para o segmento desde a criação do Plano Real, em 1994.

Confira o desempenho detalhado de cada grupo pesquisado:

  • Habitação: -1,87%
  • Transportes: -0,86%
  • Alimentação e bebidas: -0,34%
  • Comunicação: -0,09%
  • Vestuário: 0,12%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,23%
  • Educação: 0,47%
  • Artigos de residência: 0,64%
  • Despesas pessoais: 1,30%

O impacto do Bônus de Itaipu

A expressiva deflação no setor de habitação foi provocada diretamente pelo Bônus de Itaipu. O crédito especial, originado do saldo positivo da usina hidrelétrica binacional, gerou um abatimento médio de 7,63% nas contas de luz dos consumidores residenciais, tornando-se o principal fator de alívio no IPCA de agosto.

Queda consecutiva nos alimentos

O grupo de alimentação e bebidas registrou sua terceira retração mensal seguida, caindo 0,34%. Itens essenciais na mesa dos brasileiros tiveram reduções significativas, como a batata-inglesa (-19,89%), a cenoura (-11,22%), a cebola (-11,07%) e o tomate (-10,94%). O segmento de alimentos equivale a 21,5% das despesas mensais das famílias.

Como é calculado o IPCA

O indicador oficial reflete a variação do custo de vida de famílias que recebem entre um e 40 salários mínimos. O IBGE monitora mensalmente 377 produtos e serviços em dez regiões metropolitanas do país, além de Brasília e outras seis capitais estaduais.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil